
Tenho variadíssimos defeitos. Mas ser despistada é um e grande.
Não sei se é virtude ou não (porque muitas vezes transforma-se em defeito), mas estou sempre pronta a ajudar os que de mim precisam.
Ora, juntando estas 2 coisas ….vejam no que deu!
Local: CARREFOUR TELHEIRAS.(Deve haver cerca de uns
Intervenientes: EU E MEU MARIDO
Filme passado: no PARQUE DE ESTACIONAMENTO (Zona por baixo do Aki)
Quando tinha as compras meias feitas, meias por fazer, o meu marido lembrou-se que havia de ir ao Aki.
Disse-me. Vou ter ao carro!
Entretanto fui para a fila da caixa, paguei e dirigi-me ao carro. Quando lá cheguei ele não estava lá.
Procurei na mala: não tinha levado a chave.
Pus o carrinho das compras ao lado do carro e esperei que ele chegasse.
Na passagem que ficava por detrás do meu carro, mas do outro lado, estava uma carripana muito velha e lá dentro uma moça novita. Tentava pôr o carro a trabalhar e não conseguia. Ela bem insistia mas aquela porcaria não arrancava mesmo!
Lembrei-me que nos primeiros meses de carta de condução, eu consegui “afogar” um carro novinho em folha.
(Quando chamei o mecânico- que era meu conhecido- ele disse só: como fez isto a um carro novo?).
Por isso: tentei ajudar a rapariga.
Eu: Então , não consegue pô-lo a trabalhar?
Ela: Não! Estou aqui farta de dar à chave e até já chorei!
Eu: Deixa-me tentar?
Ela: Sim!
Dito isto, saiu do carro.
Eu entrei, armada em” chica esperta” e vai de utilizar a técnica que o mecânico me tinha ensinado:
Carro velho: Acelerador a fundo. Dá à chave e não a solta! Quando ele começar a trabalhar, levanta a embraiagem e o acelerador devagarinho e …já está!!
Quando entrei, pus a minha mala no banco do pendura.
E…..
O carro pegou.
Saí. Expliquei como tinha feito.
A rapariga agradeceu.
Arrancou….
E levou a minha mala!...
Ainda corri, mas no meio de todos aqueles carros não consegui apanhá-la.
Veio o meu marido.
Desorientada contei-lhe o sucedido.
Disse ele: Ah foi?? Eu bem a vi quando há pouco vim aqui deixar o que comprei. Mas quis lá saber! E tu…. Minha burra, foste apanhada!!
Eu: Oh homem! A miúda estava tão atrapalhada!
Ele: É!.... Eles sabem muito!.... Malandragem!...
Eu: Ela daqui a pouco vem cá. Vais ver!
Ele: Não volta, não!
Esperei ali uma hora e ….nada….
Entretanto o meu marido foi à segurança do Carrefour para saber qual a matrícula do carro para irmos à polícia.
Disseram logo: nesse sítio? Isso é esquema! È o sítio onde há mais roubos!
E disseram que naquele sítio não há câmaras de vigilância e os malandros sabiam disso.
Deixou lá o número do telefone, para o caso de a mala aparecer.
Os meus filhos eram muito novos.
Como a mala tinha as chaves e documentação com morada, cartões bancários,3 pares de óculos, telemóvel, etc..etc..começamos a pensar o pior.
Ligamos para casa e mandamos os miúdos trancarem a porta da rua no sistema interno de bloqueio.
Fomos à Polícia apresentar queixa.
A mesma opinião do agente que recebeu a queixa! Era malandragem !
Relatório feito: a mala tem isto, aquilo e aquilo….
Convém dizer que enquanto esperávamos para apresentar a queixa, ligámos para os Bancos e mandámos cancelar os cartões todos em meu nome.
…….
E toca o telefone do meu marido…….
Era da segurança do Carrefour!
A mala tinha sido entregue!.
Vai de ir buscá-la.
Estava toda revoltada, mas não faltava nada!
Quisemos saber a quem agradecer, Queríamos o contacto da rapariga ou a matrícula do carro , para irmos à esquadra novamente e lhe agradecermos depois.
E aqui surge o caricato e incompreensível.
Mesmo depois de eles saberem do sucedido, apenas receberam a mala e …(dizem eles), como o objecto foi entregue não valia a pena identificarem quem a entregou,
De novo na Polícia para retirar a queixa.
Diz o agente: Sabe! Se não lhe falta nada , tome cuidado!, os seus documentos foram copiados e as chaves também…. Tenha cuidado! Qualquer dia, quando menos esperar, assaltam-lhe a casa…
Toca a mudar as fechaduras todas: portões da rua, garagens, anexos e das casas.
Até este momento não dei pela falsificação da documentação.
O pior é que me lembro bem da falta que me fizeram os cartões bancários e do tempo(para mim infinito) que demoraram a dar-me os substitutos.
Afinal: Nem tudo é o que parece.
Eu até penso que ela era tão inexperiente na condução que ao apanhar o popó a trabalhar olhou sempre em frente e só viu a mala quando chegou ao destino.